Um processo da Justiça Federal de São Paulo que apura supostas operações irregulares envolvendo a incorporadora Gafisa e empresários como Nelson Tanure e Gilberto Benevides foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde passará a ser analisado pelo ministro Dias Toffoli. Entre os interessados no caso figura o Banco Master, representado no inquérito pelo escritório de advocacia Barci de Moraes Advogados, cuja sócia-fundadora é Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
A juíza Maria Isabel do Prado, da Justiça Federal, expediu a decisão que elevou a tramitação do processo ao Supremo em razão de conexões identificadas entre as investigações da Gafisa e apurações envolvendo o Banco Master — instituição financeira que passou por liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, após a deflagração da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
No relatório judicial, o Banco Master foi classificado como “terceiro interessado” no inquérito, o que significa que seus direitos ou interesses podem ser afetados pelo desfecho da ação — um estatuto processual que autoriza a participação de partes não originárias no caso.
O contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes previa uma relação de defesa jurídica ampla, com remuneração expressiva: aproximadamente R$ 129 milhões, divididos em parcelas mensais de cerca de R$ 3,6 milhões, conforme apurado em reportagens anteriores sobre o caso. O acordo, firmado em 2024, não especificava causas ou processos concretos, mas estabelecia que a banca atuaria “onde fosse necessário” em favor do banco.
A presença do escritório no processo sob relatoria de Toffoli suscitou debate no meio jurídico, justamente pela conexão familiar com outro ministro do STF — **Alexandre de Moraes — casado com Viviane Barci de Moraes e ligado à direção do escritório em questão. Esse tipo de circunstância coloca em evidência a importância da transparência e dos mecanismos de prevenção a potenciais conflitos de interesse no âmbito das Cortes, embora não haja, até o momento, qualquer comprovação de irregularidade por parte dos magistrados envolvidos.
Cabe esclarecer que a atuação de Viviane Barci de Moraes no STF não se limita a esse caso: registros públicos indicam que ela já figurou como advogada em vários processos no Supremo ao longo dos últimos anos, ainda que o sistema não mostre claramente vinculação direta com os interesses do Banco Master em todos eles.
A decisão de remeter o processo ao STF atende ao rito previsto na legislação quando uma ação envolve questões que podem extrapolar a competência da instância originária, sendo de responsabilidade do relator — neste caso, o ministro Dias Toffoli — conduzir a análise de mérito e as diligências subsequentes.













































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