Uma sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, realizada na manhã desta quinta-feira (26) no Congresso Nacional, precisou ser interrompida após um episódio de confronto físico entre parlamentares. A confusão começou logo após a aprovação, em votação simbólica, de 87 requerimentos ligados às investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com relatos de jornalistas presentes no plenário, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) se levantou e se dirigiu diretamente ao presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), em um gesto que acabou gerando empurra-empurra e tumulto entre os parlamentares. Vídeos publicados nas redes sociais mostram Correia se aproximando de forma ríspida, chegando a tocar e puxar o paletó do relator Alfredo Gaspar (União-AL) antes de ser contido por colegas.
A votação que desencadeou a crise ocorreu em um momento tenso dos trabalhos da CPMI, que investiga um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários que teria movimentado bilhões de reais e envolvido diversos investigados, incluindo entidades, empresários e servidores públicos. A medida de quebra de sigilos do filho do presidente foi um dos pontos mais controversos da pauta, suscitando reações alinhadas às divergências políticas entre governo e oposição.
Fontes parlamentares relataram que, após a aprovação, a TV Senado interrompeu a transmissão oficial da reunião devido ao clima de confusão no plenário, enquanto a Polícia Legislativa e assessores parlamentares tentavam controlar a situação e afastar membros que se confrontavam fisicamente. A sessão foi suspensa e, posteriormente, retomada com a presença de maior número de auxiliares para evitar novos incidentes.
Apesar da tensão registrada, parlamentares envolvidos divergiram em relação aos motivos da reação. Enquanto opositores sustentam que a inclusão de requerimentos polêmicos na pauta sem análise individualizada teria motivado a revolta, governistas apontaram que a aprovação unificada dos itens visava acelerar as investigações em curto prazo, diante do fim previsto das atividades da CPMI em março de 2026.
Nos dias anteriores, a CPMI já vinha registrando debates acalorados. Em outras audiências, o presidente do colegiado já havia repreendido deputados por elevação de tom, e requerimentos de depoimentos e quebras de sigilo de investigados seguiram dividindo opiniões. O clima geral reflete a polarização em torno das investigações sobre fraudes no INSS, que incluem casos de grandes movimentações financeiras e chamadas “descontos indevidos” em benefícios de aposentados e pensionistas.
Após a confusão, o deputado Rogério Correia emitiu pedido de desculpas aos colegiados por sua conduta, embora tenha justificado sua reação como reflexo da intensa disputa política interna pela condução dos trabalhos. A comissão deve continuar suas atividades nos próximos dias com a análise dos requerimentos aprovados e possíveis novas pautas de depoimentos e diligências.












































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