Resort Tayayá, no Paraná, já recebeu diversas visitas do ministro do STF
O resort Tayayá, um complexo turístico de alto padrão situado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná, que era associado a membros da família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser controlado por um advogado com vínculos profissionais com o grupo empresarial da JBS. A transferência de todos os interesses acionários foi concluída em abril de 2025, transformando Paulo Humberto Barbosa no único proprietário do empreendimento.
Barbosa adquiriu, ao longo de cerca de dois meses, as cotas antes detidas por dois irmãos e um primo de Toffoli, encerrando o vínculo societário desses parentes com o resort. Embora o ministro nunca tenha figurado formalmente no quadro societário, ele é conhecido por frequentar o local há vários anos.
O novo dono do Tayayá mantém vínculos empresariais estreitos com nomes ligados à J&F — grupo controlador da JBS. Ele é sócio de Renato Mauro Menezes Costa, atual presidente da Friboi (empresa do conglomerado Batista), e de Gabriel Paes Fortes, cunhado de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley Batista. Os três compartilham participação em uma empresa de aluguel de aeronaves, e Barbosa figura como titular de diversas outras empresas, com atuação que vai de investimentos financeiros a agronegócio.
A operação de compra foi intermediada por um fundo de investimento administrado pela Reag Investimentos, gestora envolvida em inquéritos relacionados à ciranda financeira do Banco Master, atualmente sob investigação federal. A transação e a estrutura de fundos que envolveram a aquisição têm atraído atenção de analistas por possível entrelaçamento entre o setor financeiro e interesses corporativos de grandes grupos econômicos.
A JBS, em nota, declarou que o escritório de advocacia de Barbosa atuou em demandas da companhia no estado de Goiás, mas que nem a empresa nem seus acionistas mantêm vínculos diretos com o negócio de compra do resort ou com outros empreendimentos do advogado.
Paralelamente, relatórios de veículos especializados indicam que, em anos recentes, famílias ligadas ao ministro Toffoli — por meio de fundos de investimento conectados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro — chegaram a manter participação na administração do Tayayá e em outros negócios imobiliários relacionados. A eventual liquidação desses fundos e a saída dos parentes de Toffoli ocorreram pouco antes da conclusão da venda ao advogado.
Embora não haja manifestação pública recente do ministro sobre o tema, a transação gerou questionamentos no meio político em função da relação indireta do empreendimento com interesses financeiros e empresariais de grande porte, e por ocorrer em um contexto em que decisões judiciais de Toffoli no STF — como a suspensão de uma multa bilionária imposta à J&F em 2023 — já haviam sido objeto de debates públicos.













































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