O governo brasileiro iniciou uma articulação diplomática junto aos Estados Unidos para tentar impedir que duas das maiores facções criminosas do país — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — sejam incluídas na lista de organizações terroristas estrangeiras pelo governo americano.
A possibilidade de enquadramento das facções nessa categoria passou a ser discutida em Washington e tem apoio de integrantes do governo dos EUA. A classificação permitiria às autoridades americanas aplicar sanções mais duras contra integrantes e colaboradores dessas organizações, incluindo bloqueio de ativos financeiros, restrições migratórias e outras medidas de segurança internacional.
Diante desse cenário, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro iniciou conversas com autoridades norte-americanas para tratar do tema. O chanceler Mauro Vieira discutiu a proposta com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, manifestando preocupação com os possíveis efeitos dessa classificação.
Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliam que a medida poderia abrir espaço para ações mais agressivas dos Estados Unidos no combate ao narcotráfico internacional, inclusive com operações extraterritoriais ou sanções diretas contra indivíduos e estruturas financeiras ligadas às facções.
Outro ponto levantado pelo governo brasileiro é que, pela legislação nacional, essas organizações são tratadas como grupos criminosos e não como organizações terroristas, já que a definição jurídica de terrorismo no Brasil costuma envolver motivações ideológicas, religiosas ou políticas — algo que, segundo autoridades, não se aplicaria diretamente ao caso das facções.
Apesar da resistência diplomática do Brasil, o debate sobre o enquadramento dessas organizações tem ganhado força em diferentes países da região. Em 2025, por exemplo, Argentina e Paraguai passaram a classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, citando o uso de armamento pesado e a atuação transnacional dessas facções.
A discussão ocorre em meio ao crescimento da influência dessas organizações criminosas na América do Sul e à expansão de suas atividades para além das fronteiras brasileiras, envolvendo tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e controle de rotas do crime organizado.














































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