Um influenciador digital de São Paulo afirmou ter recebido R$ 7,8 mil por uma postagem publicada em dezembro com críticas ao Banco Central, após a autoridade monetária decretar a liquidação do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo ele, após essa publicação inicial, recusou uma proposta para firmar um contrato com duração de três meses.
Outros criadores de conteúdo ouvidos pelo Portal g1 relataram abordagens semelhantes. As propostas previam contratos trimestrais para a produção de uma série de postagens — em média, oito por mês — e teriam sido feitas ao longo de dezembro.
O período coincide com o momento em que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou um volume atípico de ataques ao Banco Central nas redes sociais, com indícios de uma ação articulada. Diante desse cenário, a Polícia Federal deve instaurar uma investigação para apurar o caso.
O influenciador concordou em relatar o caso sob condição de anonimato e afirmou que foi abordado por Júnior Favoreto, representante da agência GroupBR. Segundo ele, o pagamento de R$ 7.840 foi efetuado no dia 19 de dezembro, mesma data da publicação do primeiro conteúdo. A reportagem do g1 teve acesso ao comprovante da transação, que indica que o valor partiu da conta de Thiago Miranda, proprietário da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi.
Dois dias após a postagem, o criador de conteúdo decidiu apagar o material. De acordo com seu relato, a decisão foi motivada pela percepção de que o conteúdo ultrapassava limites éticos. Ele afirma que devolveu o valor recebido e optou por não seguir com qualquer negociação futura.
“Num primeiro momento, agi de boa-fé. Não tinha entendido que vinha de Vorcaro. Achei interessante, diferente do que eu estava pensando”, declarou. Segundo ele, apenas posteriormente percebeu que sua opinião estava sendo remunerada. “Fui entender depois de fazer a coisa”, completou.
O contrato apresentado ao influenciador, ao qual o g1 teve acesso, tinha como partes a Miranda Comunicação, representada por Thiago Miranda, e a empresa Olivetto Comunicação. Pelo documento, caberia à Miranda encaminhar ao influenciador, por meio da Olivetto, materiais como reportagens, links e orientações sobre o tema a ser abordado, com antecedência suficiente para a produção e validação dos conteúdos.











































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